Parece que finalmente o Caso Isabela
chegou ao fim. Já não era sem tempo. O que é
mais incrível é a forma como esse acontecimento se
transformou em um mero espetáculo. A mídia desde o
início tratou os pais como culpados. Isso é fato. A
população se virou de tal forma contra o pai e a
madrasta de Isabela que dá até medo de saber o que
pode acontecer se eles, de repente, caem nas mãos desse
povo.
A mãe da menina também
ficou em evidência, até porque logo após a
morte da filha fez uma festa em comemoração ao seu
aniversário. Dias depois soubemos através da
mídia que ela simplesmente apagou de sua memória a
morte da filha e vivia como se nada tivesse acontecido. Ela estava
em estado de choque e essa foi a forma de reagir depois da dor
causada pela perda de sua única
filha.
E as
autoridades encarregadas da investigação, creio eu,
ainda quiseram se mostrar para a mídia. Talvez eu esteja
enganada, mas eu notei isso. Falaram logo que existia
suspeita suficiente, e isso é ir contra as leis e já
dizer que a pessoa é culpada até que ela prove o
contrário.
A
polícia focou muito no casal e deixou outros detalhes de
lado. Acreditar que um prédio sem vigilância
eletrônica adequada e com porteiros despreparados não
possa ter sido invadido por desconhecidos é no mínimo
amadorismo. Mas, mesmo com esses
percalços parece que eles são realmente os culpados.
Confesso que tinha uma certa esperança de que não
fossem eles os autores do crime. Mas, as evidências
são bem claras e as provas
incontestáveis.
Em meio ao fato, percebi que a
mídia foge cada vez mais do seu papel, em vez de passar a
informação ao público, fomentando o debate,
ela está simplesmente fazendo das notícias uma
telenovela para chamar a atenção do
telespectador.
É incrível a
obrigatoriedade que os jornais se impuseram de dar todo o dia uma
"notícia" sobre o fato, ainda que não houvesse
nenhuma novidade. Como se fossem capítulos diários
que teriam que ser exibidos para deleite do
público.
Mas, diante de toda essa
situação me vem a mente o caso da Escola de Base, em
que a precipitação e o sensacionalismo de toda
– mas toda mesmo – a imprensa levou à
condenação de pessoas que depois foram inocentadas
pela Justiça.
O caso abalou profundamente a
credibilidade da imprensa. Por isto, notei, que houve,
primeiramente, um cuidado ao abordar este fato para que o erro
cometido no passado não voltasse a
ocorrer.
Mas, de qualquer forma mais parecia uma
novela do que telejornalismo. E o mais engraçado é
que os jornais diziam: “o jornal tal divulga conteúdo
exclusivo do caso Isabela”, quando na verdade o
conteúdo não havia absolutamente nada de novo. Isso
aconteceu no Jornal Nacional, no Fantástico, no Domingo
Espetacular, e muitos outros.
Do que adianta a Globo conseguir uma
entrevista exclusiva com o pai e a madrasta da menina Isabela se
eles não acrescentaram nada de novo? Tudo que disseram
já era de conhecimento das pessoas. Eles simplesmente
afirmaram por várias vezes “que a família era
unida”, “nunca houve agressões” e, ainda,
que a menina dizia o tempo todo “tia Carol eu te amo”.
É muita falsidade para uma pessoa armar todo um
cenário. É muita frieza aparecer na televisão
e encenar.
Creio que essa história já
deu o que tinha que dar a muito tempo. Chega de telenovela. Os
jornalistas estão fugindo do fato real e o risco de se
cometer uma injustiça cresce à medida que a
mídia jornalística se impõe a
obrigação de apresentar capítulos novos a cada
dia para atender a ansiedade da
população.
Dessa forma, a influência da
mídia acaba levando a população a tirar
conclusões precipitadas. E depois de feito o estrago,
não adianta os jornalistas tentarem se defender como fizeram
no caso da Escola Base: de que a culpa não foi deles e sim
do delegado que passou informações
precipitadas.
Os jornalistas têm que saber
selecionar as fontes e as informações obtidas. Se
não fosse assim como passar a informação de
forma correta ao leitor? O jornalista não é um mero
tomador de notas como um escrivão de delegacia. Ele deve ter
responsabilidade em tudo o que faz, porque ele mexe com pessoas, e
dessa forma mexe também com a emoção
delas.