Fim do Caso Isabela  escrito em terça 29 abril 2008 17:13

Parece que finalmente o Caso Isabela chegou ao fim. Já não era sem tempo. O que é mais incrível é a forma como esse acontecimento se transformou em um mero espetáculo. A mídia desde o início tratou os pais como culpados. Isso é fato. A população se virou de tal forma contra o pai e a madrasta de Isabela que dá até medo de saber o que pode acontecer se eles, de repente, caem nas mãos desse povo.

 

A mãe da menina também ficou em evidência, até porque logo após a morte da filha fez uma festa em comemoração ao seu aniversário. Dias depois soubemos através da mídia que ela simplesmente apagou de sua memória a morte da filha e vivia como se nada tivesse acontecido. Ela estava em estado de choque e essa foi a forma de reagir depois da dor causada pela perda de sua única filha.

 E as autoridades encarregadas da investigação, creio eu, ainda quiseram se mostrar para a mídia. Talvez eu esteja enganada, mas eu notei isso. Falaram logo que existia suspeita suficiente, e isso é ir contra as leis e já dizer que a pessoa é culpada até que ela prove o contrário.

 

A polícia focou muito no casal e deixou outros detalhes de lado. Acreditar que um prédio sem vigilância eletrônica adequada e com porteiros despreparados não possa ter sido invadido por desconhecidos é no mínimo amadorismo. Mas, mesmo com esses percalços parece que eles são realmente os culpados. Confesso que tinha uma certa esperança de que não fossem eles os autores do crime. Mas, as evidências são bem claras e as provas incontestáveis.

 

Em meio ao fato, percebi que a mídia foge cada vez mais do seu papel, em vez de passar a informação ao público, fomentando o debate, ela está simplesmente fazendo das notícias uma telenovela para chamar a atenção do telespectador.

 

 É incrível a obrigatoriedade que os jornais se impuseram de dar todo o dia uma "notícia" sobre o fato, ainda que não houvesse nenhuma novidade. Como se fossem capítulos diários que teriam que ser exibidos para deleite do público.

 

Mas, diante de toda essa situação me vem a mente o caso da Escola de Base, em que a precipitação e o sensacionalismo de toda – mas toda mesmo – a imprensa levou à condenação de pessoas que depois foram inocentadas pela Justiça.

 

 O caso abalou profundamente a credibilidade da imprensa. Por isto, notei, que houve, primeiramente, um cuidado ao abordar este fato para que o erro cometido no passado não voltasse a ocorrer.

 

Mas, de qualquer forma mais parecia uma novela do que telejornalismo. E o mais engraçado é que os jornais diziam: “o jornal tal divulga conteúdo exclusivo do caso Isabela”, quando na verdade o conteúdo não havia absolutamente nada de novo. Isso aconteceu no Jornal Nacional, no Fantástico, no Domingo Espetacular, e muitos outros.

 

Do que adianta a Globo conseguir uma entrevista exclusiva com o pai e a madrasta da menina Isabela se eles não acrescentaram nada de novo? Tudo que disseram já era de conhecimento das pessoas. Eles simplesmente afirmaram por várias vezes “que a família era unida”, “nunca houve agressões” e, ainda, que a menina dizia o tempo todo “tia Carol eu te amo”. É muita falsidade para uma pessoa armar todo um cenário. É muita frieza aparecer na televisão e encenar.

 

Creio que essa história já deu o que tinha que dar a muito tempo. Chega de telenovela. Os jornalistas estão fugindo do fato real e o risco de se cometer uma injustiça cresce à medida que a mídia jornalística se impõe a obrigação de apresentar capítulos novos a cada dia para atender a ansiedade da população.

 

Dessa forma, a influência da mídia acaba levando a população a tirar conclusões precipitadas. E depois de feito o estrago, não adianta os jornalistas tentarem se defender como fizeram no caso da Escola Base: de que a culpa não foi deles e sim do delegado que passou informações precipitadas.

 

Os jornalistas têm que saber selecionar as fontes e as informações obtidas. Se não fosse assim como passar a informação de forma correta ao leitor? O jornalista não é um mero tomador de notas como um escrivão de delegacia. Ele deve ter responsabilidade em tudo o que faz, porque ele mexe com pessoas, e dessa forma mexe também com a emoção delas.

 

 

 

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